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O que acontece na internet quando o Brasil entra em campo? Jogo quadruplica tráfego em data center do Rio

No meio do jogo, uma selfie para registrar a torcida pelo Brasil. Jogo quadruplica tráfego em data center do Rio Érico Andrade/g1 Quando a bola rolar para Bra...

O que acontece na internet quando o Brasil entra em campo? Jogo quadruplica tráfego em data center do Rio
O que acontece na internet quando o Brasil entra em campo? Jogo quadruplica tráfego em data center do Rio (Foto: Reprodução)

No meio do jogo, uma selfie para registrar a torcida pelo Brasil. Jogo quadruplica tráfego em data center do Rio Érico Andrade/g1 Quando a bola rolar para Brasil x Haiti nesta sexta-feira (19), milhões de brasileiros estarão acompanhando a partida ao mesmo tempo. Mas a Copa de 2026 não está sendo vivida apenas diante da televisão. Enquanto a Seleção entra em campo, torcedores comentam lances em grupos de WhatsApp, publicam vídeos nas redes sociais, pesquisam jogadores, fazem pagamentos digitais, pedem comida por aplicativos e acompanham estatísticas em tempo real. O tamanho desse fenômeno apareceu nos bastidores da internet durante a estreia do Brasil na competição. No empate com o Marrocos, no último sábado (13), o volume de tráfego registrado no data center RJO1, da empresa Elea, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, saltou de uma média de 200 gigabits por segundo (Gbps) para 865 Gbps — mais de 4 vezes acima do habitual. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça O volume é semelhante ao registrado durante a final do Intercontinental de Clubes do ano passado, no jogo entre Flamengo e PSG. O número equivale à transferência simultânea de mais de 100 mil vídeos em alta definição. Data centers de IA podem consumir energia equivalente à de milhões de casas Esse aumento ajuda a explicar o desafio tecnológico por trás de um fenômeno que se repete a cada jogo da Seleção: milhões de pessoas assistindo ao mesmo conteúdo, interagindo em múltiplas plataformas e consumindo serviços digitais simultaneamente. “Esses 865 Gbps ilustram como eventos de grande audiência impactam o ecossistema digital. O número reflete milhões de usuários consumindo o mesmo conteúdo simultaneamente”, explica Fernanda Belchior, diretora de Vendas & Marketing da Elea Data Centers. Segundo ela, “o torcedor não enxerga esses 865 Gbps, mas percebe instantaneamente quando uma transmissão trava ou um serviço falha”. Milhões ao mesmo tempo Quando a bola rola, o torcedor já não faz apenas uma coisa. Ele pode assistir ao jogo pela TV aberta, pelo streaming ou pelo celular. Ao mesmo tempo, ele comenta a partida em grupos de mensagens, acompanha memes, busca estatísticas, pesquisa jogadores, compartilha vídeos e acompanha reações nas redes sociais. Tudo junto e misturado. Esse é um comportamento muito diferente daquele visto em Copas passadas. Muitos torcedores acompanham partida do Brasil com o celular na mão. Fábio Tito/g1 Segundo a Elea, durante um jogo da Seleção, “toda a audiência faz praticamente as mesmas coisas ao mesmo tempo”. Isso cria um dos cenários mais exigentes para a infraestrutura digital, já que milhões de acessos ocorrem de forma sincronizada. O desafio não é pequeno. O Brasil possui cerca de 185 milhões de usuários de internet e 150 milhões de usuários de redes sociais, segundo levantamento da DataReportal. Só o YouTube alcança aproximadamente 150 milhões de usuários no país. O Instagram reúne cerca de 147 milhões de usuários, enquanto o TikTok chega a 131 milhões de adultos, números que ajudam a explicar por que partidas da Seleção provocam explosões simultâneas de buscas, vídeos, comentários e compartilhamentos. Delivery, redes sociais e a segunda tela Os impactos da Copa aparecem também fora das transmissões. Dados do iFood mostram que as vendas de bebidas cresceram mais de 63% durante o jogo entre Brasil e Marrocos em comparação com o sábado anterior. O pico de pedidos ocorreu às 18h, uma hora antes do início da partida. Em cada 10 itens vendidos por lojas de bebidas na plataforma, 6 eram cervejas. A categoria de mercado também cresceu mais de 8%, enquanto a pizza grande de 2 sabores liderou o ranking de pedidos nos restaurantes naquele dia. “Observamos um comportamento claro de planejamento, com aumento da demanda por bebidas e itens de conveniência antes do início da partida, além do fortalecimento de ocasiões de consumo compartilhado”, afirma Rafael Correa, diretor de Comunicação Institucional do iFood. O que acontece na internet quando o Brasil joga? Dados do TikTok Nas redes sociais, o movimento também foi intenso. Segundo dados do TikTok, a hashtag #SelecaoBrasileira registrou aumento de 169% no número de publicações durante o dia do jogo, enquanto #CopadoMundo cresceu 112%. As buscas por “seleção brasileira” avançaram 133%, e as pesquisas por “Vini Jr” aumentaram cerca de 220%. A movimentação começou antes mesmo da estreia. Entre os dias que antecederam a partida, as buscas por “look Copa do Mundo” cresceram 249%. Já as pesquisas por “unhas Copa do Mundo 2026” aumentaram 163%, enquanto “make Copa do Mundo Brasil 2026” registrou alta de 485%. Pesquisa da Ipsos encomendada pelo TikTok mostra ainda que 85% dos fãs utilizam a plataforma durante eventos esportivos ao vivo, enquanto 94% recorrem ao aplicativo para assistir aos melhores momentos que perderam. Outros 42% afirmam passar a acompanhar a transmissão pela TV ou por serviços de streaming depois de consumir conteúdo esportivo na rede. No Tiktok, a busca por “unhas Copa do Mundo 2026” aumentaram 163%. Reprodução redes sociais Comportamento digital mudou A diferença entre a Copa de 2002 e a Copa de 2026 vai muito além da qualidade da imagem. Há pouco mais de 20 anos, o desafio principal era fazer o sinal da televisão chegar até o torcedor. Hoje, a transmissão é apenas uma parte da experiência. “A principal mudança é que a experiência deixou de estar concentrada apenas na televisão”, afirmou Fernanda Belchior. Em 2002, o torcedor assistia ao jogo e, no máximo, comentava o resultado no telefone ou no dia seguinte. Em 2026, ele acompanha a transmissão enquanto participa de grupos, cria conteúdo, publica vídeos, pesquisa informações e interage em tempo real. Para a executiva da Elea, “a Copa atual exige não apenas transmissão, mas uma rede robusta de conectividade, processamento e armazenamento de dados para suportar um volume colossal de interações”. No Tiktok, a busca por “make Copa do Mundo Brasil 2026" registrou alta de 485%. Reprodução redes sociais Por que a internet não trava? Por trás de cada transmissão existe uma engrenagem invisível formada por data centers, servidores, cabos submarinos, provedores e redes de distribuição de conteúdo. Os data centers funcionam como grandes centros de armazenamento e distribuição de informações. É deles que saem dados que abastecem serviços de streaming, bancos, aplicativos, marketplaces e redes sociais. Um dos elementos centrais desse sistema é a chamada CDN (Content Delivery Network), uma rede que distribui cópias do conteúdo em diversos servidores espalhados pelo país. Na prática, isso reduz a distância entre o usuário e o vídeo que ele deseja assistir. Também entram em cena mecanismos de redundância e balanceamento de carga. Se um equipamento falha, outro assume. Se uma rota fica congestionada, o tráfego é redistribuído. "É como uma cidade com diversas avenidas, túneis e rotas alternativas. Quando uma via fica cheia, os veículos são direcionados para outros caminhos. A internet funciona de forma semelhante". “A internet moderna foi projetada para distribuir cargas de forma eficiente”, acrescentou Fernanda Belchior. RJO1, na Barra da Tijuca: data center registrou pico de 865 Gbps durante a estreia do Brasil na Copa do Mundo. Reprodução Segundo ela, plataformas de streaming, bancos e redes sociais operam por uma malha de redes interconectadas que compartilham tráfego e distribuem acessos simultâneos. “Como eventos como a Copa são previsíveis, preparamos toda a cadeia antecipadamente para suportar picos muito superiores ao tráfego diário”, explicou Belchior. O Rio nessa infraestrutura O aumento de tráfego registrado durante a Copa também ajuda a explicar por que o Rio tenta se consolidar como um polo estratégico da economia digital. Localizado na Barra da Tijuca, o RJO1 é um dos principais hubs de conectividade do país e abriga dezenas de operadoras de telecomunicações. A unidade também integra a infraestrutura utilizada por empresas de mídia, plataformas digitais e serviços financeiros. É nesse contexto que surge o projeto Rio AI City, iniciativa que prevê a expansão da capacidade de processamento e armazenamento de dados na cidade para atrair investimentos em inteligência artificial e computação em nuvem. Elea Data Centers prevê quatro data centers, além de prédios para centros de pesquisa, startups e outros, em complexo em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro Divulgação/Elea Data Centers; Dhara Pereira/g1 A lógica é semelhante à da Copa: a mesma infraestrutura necessária para suportar transmissões simultâneas, streaming e serviços digitais em larga escala também será fundamental para o crescimento das aplicações de inteligência artificial. Para quem acompanha um gol pelo celular ou pela televisão, tudo acontece em poucos segundos. Nos bastidores, porém, esse momento mobiliza uma engrenagem digital que conecta redes sociais, streaming, sistemas de pagamento, aplicativos de entrega e centros de dados espalhados pelo país. Uma infraestrutura invisível que, durante a Copa do Mundo, trabalha em ritmo de decisão.